Trabalhadores mantêm paralisação nacional enquanto empresa encerra negociações e aguarda decisão judicial prevista para segunda-feira

A greve nacional dos Correios chegou ao oitavo dia nesta sexta-feira (18), sem acordo definitivo entre a empresa e os representantes dos trabalhadores. A paralisação, iniciada na noite de quinta-feira (10), ocorre por tempo indeterminado e tem como principal ponto de divergência as mudanças propostas para o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

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O impasse ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (18), depois que os Correios informaram que não pretendem retomar, neste momento, as negociações diretas com os sindicatos e decidiram aguardar o julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), marcado para a próxima segunda-feira (21). As entidades sindicais, por outro lado, afirmam que continuam abertas ao diálogo e defendem a retomada das tratativas.

Plano de saúde concentra principal divergência entre trabalhadores e Correios

Embora as negociações envolvam diferentes cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, o plano de saúde se tornou o principal obstáculo para a construção de um acordo.

As entidades que representam os trabalhadores contestam a mudança na condição dos Correios como mantenedores do benefício. Para os sindicatos, a alteração pode aumentar a participação financeira dos empregados e gerar insegurança para trabalhadores, aposentados e dependentes.

A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) afirma que, nos demais pontos do ACT, houve avanços nas negociações e que o plano de saúde permanece como o principal item sem consenso. A entidade defende a preservação da atual estrutura de manutenção do benefício.

Os Correios, por sua vez, sustentam que a proposta apresentada preserva a assistência médica e mantém grande parte das cláusulas do acordo anterior, além de prever reajuste baseado no INPC. A empresa também argumenta que precisa conciliar os direitos dos empregados com a situação econômico-financeira da estatal.

Reajuste salarial e benefícios também estão entre as reivindicações

Outro ponto importante da campanha salarial é a recomposição dos salários e benefícios. Conforme as informações divulgadas durante as negociações, a proposta em discussão prevê reajuste de 4,35%, correspondente ao INPC, com aplicação retroativa a 1º de agosto.

Representações sindicais também apresentam outras reivindicações relacionadas à manutenção de direitos previstos em acordos anteriores, incluindo benefícios e regras de jornada.

Entre os pontos defendidos por entidades da categoria estão a manutenção do tíquete extra, direitos relacionados às férias e ao trabalho em dias de repouso, além da discussão sobre o horário da jornada aos sábados. As reivindicações podem apresentar diferenças entre sindicatos e bases regionais.

Trabalhadores também contestam plano de reestruturação da estatal

A campanha salarial ocorre paralelamente a um processo de reestruturação dos Correios, outro tema que provoca resistência entre as entidades sindicais.

Os representantes dos trabalhadores questionam medidas que podem envolver fechamento de agências, reorganização de distritos postais e mudanças na estrutura operacional. A categoria também contesta a ideia de que os empregados sejam responsabilizados pela situação financeira da empresa.

Os Correios afirmam que a reestruturação é necessária para melhorar a eficiência, reduzir despesas, modernizar a operação e recuperar receitas. A estatal registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026, embora tenha apresentado redução do resultado negativo em relação aos primeiros três meses do ano.

TST determina funcionamento mínimo de 80% durante a paralisação

O Tribunal Superior do Trabalho já adotou uma medida para garantir a continuidade dos serviços durante a greve.

Em decisão liminar tomada no sábado (12), o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que os Correios mantenham pelo menos 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento durante a paralisação.

A determinação alcança áreas consideradas essenciais para o funcionamento da cadeia postal, incluindo atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos indispensáveis.

Na decisão, o ministro considerou o caráter essencial dos serviços prestados pelos Correios e destacou também o impacto potencial da paralisação sobre as Eleições de 2026, que estão em período de campanha.

Empresa recorre ao TST e dissídio será julgado na segunda-feira

Diante da continuidade da greve, os Correios ingressaram no TST com um pedido de dissídio coletivo de greve na sexta-feira (11). A empresa busca uma decisão judicial sobre a paralisação e sobre as condições para encerramento do conflito.

Antes de chegar ao julgamento, o TST participou das tentativas de conciliação entre a estatal e os sindicatos. As negociações, porém, não resultaram em um acordo capaz de encerrar a paralisação.

O julgamento do dissídio está marcado para segunda-feira (21), às 13h30, quando a Justiça do Trabalho deverá analisar o conflito e as reivindicações apresentadas pelas partes. Até o julgamento, contudo, empresa e trabalhadores ainda podem chegar a um acordo por meio da negociação.

O que pode levar ao fim da greve dos Correios

Existem, neste momento, dois caminhos principais para o encerramento da paralisação.

O primeiro é a construção de um acordo entre os Correios e as entidades sindicais, especialmente sobre o plano de saúde. Nesse cenário, as partes poderiam definir uma redação consensual para o ACT e estabelecer as condições para o retorno dos trabalhadores.

O segundo caminho passa pelo julgamento do dissídio coletivo pelo TST, que deverá apreciar as questões submetidas à Justiça do Trabalho e estabelecer os parâmetros aplicáveis ao conflito caso não haja composição antes da sessão.

Para os trabalhadores, um possível entendimento precisaria contemplar a preservação do plano de saúde e dos direitos reivindicados, além das questões salariais e de jornada. Para os Correios, a solução precisa ser compatível com o processo de reestruturação financeira e operacional defendido pela empresa. A conciliação desses pontos é o principal desafio para a retomada integral das atividades.

Correios adotam medidas para reduzir impactos da paralisação

Enquanto a greve continua, a estatal afirma ter colocado em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios para diminuir os efeitos da paralisação sobre a população e o setor produtivo.

Entre as medidas anunciadas estão o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar nas atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas. A empresa também informou que sua rede de agências permanece aberta ao público.

Mesmo com essas ações e com a determinação judicial de manutenção de 80% do efetivo, a paralisação pode afetar a regularidade de determinados serviços e aumentar os prazos de processamento e entrega.

Decisão de segunda-feira será novo capítulo do impasse

Com a greve iniciada em 10 de setembro, as negociações interrompidas e o julgamento marcado para 21 de setembro, o futuro imediato da paralisação está diretamente relacionado ao desfecho do dissídio coletivo no TST e à possibilidade de uma nova composição entre as partes.

O ponto central permanece sendo a busca por uma solução que concilie as reivindicações dos trabalhadores, especialmente em relação ao plano de saúde e aos direitos previstos no ACT, com as necessidades de reestruturação financeira e continuidade dos serviços dos Correios.

Até o julgamento, a determinação de funcionamento mínimo de 80% do efetivo permanece como uma das principais medidas judiciais em vigor durante a greve.

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