Cláudio Castro afirmou publicamente que solicitou por três vezes o suporte das Forças Armadas para ações de combate ao tráfico

Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) – Reprodução CNN Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi acusado pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), de ter negado apoio das Forças Armadas ao estado em operações recentes contra o tráfico de drogas. Confira os relatos e o posicionamento de ambos os lados sobre a crise de segurança pública e o combate ao crime organizado.

Negativa de apoio federal

Cláudio Castro afirmou publicamente que solicitou três vezes o suporte das Forças Armadas para ações de combate ao tráfico, especialmente em megaoperações nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo o governador, os pedidos foram negados sob a justificativa de que seria necessário a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento federal cuja aplicação foi rejeitada por Lula, que já indicou ser contrário ao uso frequente dessa medida. Castro também declarou que, diante das recusas, o estado tornou a conduzir operações de grande porte sem auxílio federal e que o Rio de Janeiro está “sozinho nessa guerra”.​

PUBLICIDADE:

Resposta do governo federal

O Ministério da Justiça, chefiado por Ricardo Lewandowski, contestou as alegações do governador fluminense. Em nota oficial, o governo federal declarou que tem atendido prontamente todas as solicitações do Rio para emprego da Força Nacional de Segurança Pública, inclusive renovando operações de apoio desde 2023. Apesar das negativas referentes às Forças Armadas e à GLO, o governo federal afirma que houve apoio com recursos, equipamentos e efetivos da Força Nacional, além de operações realizadas pela Polícia Federal no estado. Segundo o ministério, mais de 178 operações em 2025, incluindo 24 ações voltadas para o combate ao tráfico, foram conduzidas com colaboração federal, resultando em prisões e apreensões de drogas e armas.​

Operação e contexto

A megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha foi marcada por elevado número de mortes e prisões, sendo considerada uma das mais letais da história do Rio. Mesmo sem a participação das Forças Armadas, mais de 81 pessoas foram presas e líderes do Comando Vermelho figuraram entre os principais alvos. O impasse entre os governos estadual e federal expõe uma disputa política e de estratégias sobre o enfrentamento ao tráfico e à atuação do Estado diante do crime organizado.​

Debate sobre a Garantia da Lei e da Ordem

A principal divergência técnica entre os governos está no uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ferramenta legal que permite o envio das Forças Armadas para atividades de segurança pública em situações excepcionais. Lula se posicionou contrário à GLO por considerar seus riscos e impactos sobre a sociedade e as comunidades, enquanto Cláudio Castro sustenta que, diante da gravidade da crise, seria necessário adotar medidas extraordinárias para restaurar a ordem no estado.​

A situação demonstra o impasse político e administrativo no enfrentamento ao tráfico no Rio de Janeiro e as consequências dessa disputa para a segurança da população fluminense.