Um vídeo de uma garotinha de apenas 4 anos tem dado o que falar na internet. A história é de uma família que mora no bairro Almir Gabriel, em Marituba, no Pará.

No vídeo, que já passa de 4, 3 mil compartilhamentos, uma menininha comunicativa e inteligente aparece fazendo o uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), explicando sobre como as pessoas devem tratar as pessoas surdas. 

É que os pais de Evellyn são surdos e diante de inúmeras situações em que as pessoas se dirigem a eles como “surdo-mudo”, “mudinho”, ou outras formas inadequadas, a menininha resolveu mandar seu recado. 

No vídeo de poucos segundos, a pequena aparece ao lado de uma amiga da família, xará de Evellyn, a estudante Evelin Monteiro, de 18 anos de idade, que há muito tempo acompanha os preconceitos sofridos pela amiga. Veja:

“Resolvemos fazer o vídeo e divulgar. As pessoas tem que entender que os surdos tem sua própria linguagem e tem a Libras como primeira língua. Muitas vezes já presenciei situações chatas em que minha amiga é chamada de mudinha, ou tratada com discriminação”, comenta a estudante. 

A estudante ainda comentou que não esperava que o vídeo fosse tomar tal repercussão. 

“Estavámos em um aniversário quando minha mãe me ligou e comentou sobre a dimensão que tudo tomou. Ficamos muito felizes. A Evellyn sorria demais com as pessoas dizendo que ela ia ficar famosa. Ela tá muito feliz mesmo”, disse a amiga da família, que ainda comentou que o celular é recheado de vídeo da criança de 4 anos falando sobre o dia a dia dos pais. 

Evellyn Victória mora com a mãe e o padrasto, ambos surdos, e desde muito pequena estuda LIBRAS para poder se comunicar melhor com eles. 

“Ela é muito esperta, inteligente e comunicativa. Ela mesmo pede pra gravarmos vídeos. Evellyn é muito especial”, concluiu Evelin Monteiro. 

Vale ressaltar que a luta dos surdos pelo direito de se representarem não como deficientes, mas como sujeitos com uma cultura própria, tendo Libras como primeira língua, são recentes no Brasil e têm como resultado, por exemplo, a lei federal 10.436/2002 que reconheceu o uso da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

Sua história é marcada por lutas contra a discriminação e entre diferentes modelos de educação; nela, predominantemente, a surdez é vista em termos clínicos, focalizando-se a perda auditiva, o desenvolvimento da oralidade, a articulação das palavras, etc.

Essa luta também se relaciona a formas de nomeação: assim, os surdos querem ser chamados de “surdos”, e não surdos-mudos, que os mostra como sujeitos sem comunicação ou deficientes auditivos, um termo pejorativo, da área clínica. 

com DIÁRIO ON LINE