Inédita medalha de ouro na Paralimpíada conclui uma longa espera

Já falei aqui sobre o valor que uma única medalha pode ter para alguém que correu atrás dela por anos. Na Paralimpíada, isso acontece provavelmente inúmeras vezes a cada dia, dada a quantidade de modalidades e suas respectivas classes sendo disputadas. Mas existem, sim, casos de atletas que têm apenas uma chance a cada quatro anos – desta vez foram cinco – e cada derrota nesse palco dói mais por saber que só se terá outra oportunidade depois de muito tempo.

O goalball é um destes. Premia apenas dois campeões, um na chave masculina e outro na feminina, o que se repete nas outras modalidades coletivas. No caso da seleção brasileira masculina, a decepção, a ansiedade e agora o êxtase também são coletivos. A equipe chegou a Tóquio como atual bicampeã mundial e tri parapanamericana, mas ainda sem saber o gosto do ouro em uma Paralimpíada. A sensação provavelmente foi mais torturante porque esse gosto esteve próximo. Em Londres, o Brasil foi prata e no Rio, bronze.
No Japão, a espera enfim acabou. Uma fácil vitória por 7 a 2 na final contra a China encerrou a angústia. A comemoração em quadra foi efusiva, o que muito provavelmente se explica pela familiaridade que os atletas têm um com o outro. A base da equipe atua junta há mais de oito anos e alguns atletas têm mais de dez anos de serviços prestados. Eles passaram pela fase de ser azarão, de explicar o que é o goalball, depois a ascensão ao status de potência mundial até enfim serem reconhecidos como campeões que tinham um item faltando no currículo.
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Os mais antigos na equipe são Romário e José Roberto. Romário naturalmente lembrou de todas as etapas da trajetória e de como chegar ao ouro exigiu resiliência.
“Eu particularmente fui assaltado e atingido por uma bala em Natal e no mesmo dia o Parazinho (companheiro de seleção) fez uma cirurgia no joelho. Tudo isto nos últimos anos. Passamos por várias situações para estar aqui. Nosso lema é lutar sempre, desistir nunca”, disse.
José Roberto, ainda embriagado de toda a euforia pela conquista que esperou por uma década ou mais, parecia, naquele momento, começar a se dar conta de que passa a viver uma nova fase. É campeão paralímpico e, aos 40 anos, imagina que esta tenha sido a última competição que participou com a seleção. Junto a Leomon, ele é o único que completou a coleção de medalhas: tem ouro, prata e bronze.
“Só não foi melhor porque não foi no Brasil. Era o sonho ser campeão pelo seu país e no seu país. Porém, conseguimos aqui e me sinto com o dever cumprido. Alcançamos o ápice do que podemos fazer dentro da nossa modalidade”, opinou.
AGÊNCIA BRASIL
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