Carro alegórico da Acadêmicos de Niterói homenageia Lula – Foto: Reprodução/Instagram

A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do Rio de Janeiro após a apuração realizada nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026. A agremiação, que fazia sua estreia na elite do Carnaval carioca após vencer a Série Ouro em 2025, terminou a competição na 12ª colocação (último lugar), somando 264,6 pontos. Com esse resultado, a escola retornará à Série Ouro (segunda divisão) no desfile de 2027.

O enredo apresentado na Marquês de Sapucaí foi intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem direta à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desfile narrou a vida do petista desde sua origem humilde e infância em Garanhuns (PE), passando pela fase como metalúrgico no ABC Paulista, até sua ascensão política e chegada à Presidência da República. Um dos destaques visuais foi uma escultura metálica do presidente com mais de 18 metros de altura.

A passagem da escola pela avenida foi marcada por intensas polêmicas e debates políticos que extrapolaram o campo artístico. O desfile incluiu elementos satíricos, como a ala “Neoconservadores em conserva”, direcionada a setores da oposição, e um carro alegórico que zombava do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes mesmo de entrar na Sapucaí, a agremiação enfrentou pelo menos dez iniciativas judiciais que tentavam impedir ou contestar a homenagem.

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Apesar do posicionamento político e da identidade emocional carregada no desfile, a Acadêmicos de Niterói não conseguiu conquistar os jurados, recebendo nota 10 em apenas um quesito. Após o resultado, a escola declarou sentir-se alvo de perseguição política, afirmando que “a arte não é para covardes” e defendendo que deveria ter havido uma apuração mais justa. O rebaixamento foi interpretado por opositores como um revés simbólico para o governo, enquanto a escola defendeu o caráter democrático e crítico de sua manifestação artística.