Prisão ocorreu dentro da aeronave, indagado sobre a prisão, alegou não saber

Um piloto da Latam Airlines foi preso na manhã desta segunda-feira (9), dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, instantes antes da decolagem para o Rio de Janeiro. O homem, de 60 anos, já estava na cabine quando foi surpreendido por policiais civis que cumpriam mandado de prisão temporária no âmbito da operação “Apertem os Cintos”, conduzida pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com as investigações, o piloto é suspeito de integrar e possivelmente liderar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, com a prática de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição infantil, produção e compartilhamento de pornografia envolvendo menores e uso de documentos falsos para levar vítimas a motéis. A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Guararema, onde o suspeito mora, e prendeu uma mulher de 55 anos acusada de aliciar as próprias netas em troca de dinheiro.
Imagens divulgadas pela TV e redes sociais mostram o momento em que os agentes entram na aeronave e dão voz de prisão ao comandante, que aparenta surpresa e diz não saber o motivo da detenção. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso vinha sendo apurado havia meses, com coleta de provas digitais e depoimentos que indicam a existência de um esquema sistemático de abuso e exploração sexual de meninas menores de idade.
Em nota, a Latam informou que abriu uma apuração interna, afirmou repudiar veementemente qualquer tipo de violência ou exploração sexual e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A empresa destacou ainda que o piloto foi imediatamente afastado de suas funções. A concessionária Aena, responsável pela administração de Congonhas, também disse acompanhar o caso e prestar o suporte necessário aos órgãos de segurança.
O suspeito deve responder pelos crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual infantojuvenil, favorecimento da prostituição infantil, produção e difusão de pornografia ilegal, aliciamento de crianças e adolescentes, perseguição (stalking), uso de documento falso e coação no curso do processo. Ele será ouvido pelo DHPP nos próximos dias, enquanto a polícia tenta identificar todas as vítimas e eventuais outros integrantes da rede, em um caso que já provoca forte repercussão pública e reacende o debate sobre mecanismos de proteção a crianças e adolescentes no país.
