Segundo a polícia, ela recebia pagamentos do comandante em troca da exploração sexual das três meninas

Uma mulher de 55 anos foi presa em Guararema, na Grande São Paulo, acusada de “vender” as próprias netas para o piloto da Latam detido no Aeroporto de Congonhas na operação “Apertem os Cintos”. Segundo a Polícia Civil, ela recebia pagamentos do comandante em troca da exploração sexual das três meninas, de 10, 12 e 14 anos, que eram levadas para encontros com o investigado. A prisão da avó foi feita por mandado de prisão temporária, no mesmo dia em que o piloto foi detido dentro da aeronave, momentos antes da decolagem.
As investigações da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP apontam que o piloto de 60 anos, atuava há pelo menos oito anos em uma rede organizada de abuso e exploração sexual infantil, que incluía estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição de menores, produção e comércio de pornografia infantil e uso de documentos falsos para acessar motéis com crianças e adolescentes. A avó, segundo a polícia, funcionava como aliciadora direta, intermediando o acesso do homem às netas e recebendo valores em dinheiro pelas “entregas”.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, além das prisões, a operação cumpre mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Guararema, em endereços ligados aos investigados, em busca de celulares, computadores, mídias e documentos que possam comprovar o esquema. Até agora, ao menos três vítimas já foram formalmente identificadas, com idades entre 11 e 15 anos, todas submetidas a situações graves de abuso e exploração sexual, mas a polícia trabalha com a hipótese de que haja mais crianças envolvidas.
Os crimes investigados incluem estupro de vulnerável, exploração sexual de criança e adolescente, favorecimento da prostituição infantil, produção, armazenamento e comercialização de pornografia infantil, tráfico de pessoas para fins sexuais, além de associação criminosa. A avó e o piloto foram levados ao DHPP, em São Paulo, onde prestam depoimento e aguardam decisão da Justiça sobre eventual conversão da prisão temporária em preventiva.
O caso gerou forte indignação pública, tanto pela posição de confiança que a avó ocupava na vida das crianças quanto pelo fato de um piloto de linha aérea, profissional altamente responsabilizado, estar no centro das acusações. Entidades de proteção à infância pressionam por rigor máximo nas punições e reforço de políticas de prevenção e denúncia de violência sexual contra menores, lembrando que muitos casos só vêm à tona graças a investigações de longo prazo e ao encorajamento das vítimas para romper o silêncio.
