Embarcação estava à deriva e sem comunicação desde 27 de agosto após falha no sistema de propulsão

Marinha localiza seis pescadores após seis dias de buscas no litoral do Ceará — © Marinha do Brasil

Seis pescadores que estavam a bordo do barco pesqueiro “S.E. Pescados” foram encontrados com vida e em boas condições de saúde na noite de quinta-feira (3 de setembro de 2026), após uma operação de busca e salvamento conduzida pela Marinha do Brasil. A embarcação havia perdido a comunicação com a terra firme em 27 de agosto, depois de apresentar uma falha no sistema de propulsão que também comprometeu o fornecimento de energia necessário para os equipamentos de comunicação.

O pesqueiro havia deixado o município de Itarema, no Ceará, em 17 de agosto, para uma viagem de pesca planejada para durar aproximadamente 30 dias. A última comunicação entre a embarcação e o armador ocorreu dez dias depois da saída. Sem novos contatos, a situação passou a ser tratada como uma ocorrência de busca e salvamento no litoral cearense.

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A Capitania dos Portos do Ceará (CPCE) recebeu a informação sobre o desaparecimento na tarde de 29 de agosto. Naquele momento, a última posição conhecida do “S.E. Pescados” estava a cerca de 150 quilômetros ao norte de Fortaleza. A partir daí, o SALVAMAR NORDESTE assumiu a coordenação das ações e iniciou o planejamento das buscas, com acompanhamento contínuo das equipes envolvidas.

A ausência de comunicação foi provocada por uma falha no motor da embarcação. Como o propulsor também era responsável pelo funcionamento do gerador de energia, a pane deixou o barco sem eletricidade suficiente para manter os equipamentos de comunicação em funcionamento. Apesar da situação, os tripulantes conseguiram manter iluminação utilizando placas solares e baterias durante o período em que permaneceram à deriva.

Operação mobilizou navios, aeronaves e embarcações da comunidade marítima

A busca contou com uma ampla estrutura coordenada pela Marinha do Brasil, envolvendo unidades navais, aeronaves, organizações militares e integrantes da comunidade marítima. O acompanhamento foi realizado durante 24 horas pelo Centro de Coordenação Naval da Autoridade Marítima do Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN) e pelo Centro de Coordenação e Controle da Autoridade Marítima da Agência da Capitania dos Portos em Camocim.

Entre as medidas adotadas esteve a atuação da Agência da Capitania dos Portos em Camocim, que realizou contatos com colônias de pescadores e acionou mecanismos de cooperação da comunidade marítima. Também houve apoio da Estação Radiogoniométrica da Marinha em Natal, utilizada nas tentativas de estabelecer comunicação com o pesqueiro.

Ao longo da operação, 26 embarcações foram mobilizadas para ampliar a área de vigilância, tentar estabelecer contato com o “S.E. Pescados” e repassar possíveis informações sobre sua localização. Avisos aos Navegantes também foram emitidos para alertar outras embarcações que navegavam pela região e aumentar as chances de identificação do pesqueiro.

Outro importante reforço ocorreu em 31 de agosto, quando o Navio-Patrulha Oceânico (NPaOc) “Araguari”, subordinado ao Com3ºDN, deixou Natal (RN) com a missão de participar diretamente das buscas. A operação também recebeu suporte do SALVAERO Recife, com emprego de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

Sistema de previsão de deriva ajudou a direcionar as buscas

Um dos recursos empregados durante a operação foi o Sistema de Planejamento de Apoio à Decisão SAR (SPAD-SAR), ferramenta utilizada para estimar a provável área em que a embarcação poderia ser encontrada considerando as condições de deriva.

Com base nessas projeções, os responsáveis pela operação conseguiram organizar setores específicos de busca para o NPaOc “Araguari” e para as aeronaves da FAB. A integração entre os dados produzidos pelo sistema e as informações coletadas durante a operação permitiu concentrar os esforços em áreas consideradas mais prováveis para a localização do barco.

Depois de seis dias de buscas, uma aeronave da FAB identificou, na quinta-feira (3), uma embarcação com características semelhantes às do pesqueiro desaparecido. A posição foi imediatamente comunicada ao SALVAMAR NORDESTE, que orientou o deslocamento do “Araguari” até o ponto indicado para confirmar a identificação.

Marinha localiza seis pescadores após seis dias de buscas no litoral do Ceará — © Marinha do Brasil

Por volta das 23h do dia 3 de setembro, o navio chegou à área informada e confirmou que se tratava do “S.E. Pescados”. O barco estava à deriva, sem capacidade de propulsão devido a uma avaria no motor, mas os seis tripulantes estavam vivos.

Marinha localiza seis pescadores após seis dias de buscas no litoral do Ceará — © Marinha do Brasil

Pescadores foram avaliados e considerados em boas condições

Após o encontro, os seis pescadores foram embarcados no “Araguari” e passaram por avaliação médica realizada pela equipe de saúde do navio. Segundo a avaliação, todos estavam em bom estado de saúde e não apresentavam necessidade de atendimento médico emergencial.

Marinha localiza seis pescadores após seis dias de buscas no litoral do Ceará — © Marinha do Brasil

A pane responsável pela situação foi identificada como um calço hidráulico no motor, que impediu o funcionamento do sistema de propulsão. Sem o motor em operação, o pesqueiro permaneceu à deriva, enquanto a energia disponível para iluminação era mantida por meio de painéis solares e baterias.

O navio da Marinha permaneceu próximo ao pesqueiro após a localização, garantindo apoio e segurança aos tripulantes até que uma embarcação contratada pelo proprietário chegasse ao local para realizar o reboque do “S.E. Pescados” de volta ao porto de origem.

O desfecho encerrou uma operação que envolveu diferentes estruturas das Forças Armadas e da comunidade marítima. Para os pescadores, o momento da localização representou o fim de dias de incerteza em alto-mar e o reencontro com uma perspectiva segura de retorno.

Um dos tripulantes, Francisco Oliveira Santos, relatou o alívio vivido no momento em que avistou o navio da Marinha e destacou a recepção recebida pela equipe responsável pelo resgate. Para ele, a chegada do NPaOc “Araguari” marcou o momento em que finalmente teve a certeza de que os pescadores seriam retirados daquela situação.

COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA MARINHA DE NOTÍCIAS

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