Proposta avança na Câmara e segue para novas etapas de votação

CCJ aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos no Brasil — © Lula Marques/Agência Brasil.

Nesta quarta-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32/2015), que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O parecer favorável recebeu 44 votos a favor e 18 contrários, permitindo que a proposta avance para as próximas fases de tramitação no Congresso Nacional.

A aprovação representa apenas a primeira etapa do processo legislativo. Agora, a PEC será analisada por uma comissão especial, responsável por discutir o mérito da proposta antes que ela seja submetida a votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados.

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O debate na comissão foi marcado por mais de duas horas de discussões entre parlamentares favoráveis e contrários à mudança. Os defensores da proposta argumentam que a medida pode fortalecer o combate à criminalidade e reduzir a sensação de impunidade em casos envolvendo adolescentes que praticam crimes graves.

O relator da matéria, deputado Coronel Assis (PL-MT), sustentou que a proposta é compatível com a Constituição Federal e não afronta direitos protegidos por cláusulas constitucionais permanentes. Segundo ele, a alteração pode ser debatida e votada dentro das regras previstas pelo ordenamento jurídico brasileiro.

Por outro lado, parlamentares contrários à PEC defenderam que os direitos relacionados à infância e à juventude possuem proteção constitucional especial. Para esse grupo, a redução da maioridade penal não resolveria os problemas estruturais da segurança pública e poderia gerar novos desafios para o sistema prisional brasileiro.

Durante a discussão, também foram apresentados argumentos relacionados aos índices de reincidência criminal. Parlamentares contrários à proposta afirmaram que o sistema socioeducativo apresenta resultados mais positivos na ressocialização de adolescentes do que o sistema penitenciário convencional, enquanto apoiadores da PEC defenderam a necessidade de endurecimento das leis para enfrentar a atuação de facções criminosas.

Outro ponto levantado no debate foi o possível recrutamento de menores por organizações criminosas. Enquanto defensores da proposta afirmam que adolescentes são frequentemente utilizados por facções devido às punições mais brandas previstas atualmente, críticos argumentam que a redução da idade penal pode levar criminosos a aliciar jovens ainda mais novos.

Os parlamentares favoráveis destacaram ainda os elevados índices de violência registrados no país e defenderam que a mudança pode integrar um conjunto mais amplo de medidas voltadas ao fortalecimento da segurança pública. Já os opositores sustentam que a prioridade deveria ser ampliar investimentos em educação, prevenção e políticas sociais voltadas à juventude.

Com a aprovação na CCJ, a proposta permanece em discussão e ainda precisará superar etapas importantes antes de uma eventual promulgação. Caso avance em todas as fases da tramitação legislativa, a PEC poderá alterar um dos temas mais debatidos no cenário político e jurídico brasileiro: a responsabilização criminal de adolescentes.

O principal objetivo da proposta é permitir que jovens a partir dos 16 anos possam responder criminalmente como adultos em determinadas situações, tema que continua dividindo opiniões entre especialistas, parlamentares e setores da sociedade.

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