Delegado Leonardo Assunção (Crédito: PC-AL / Arquivo)

Uma divergência de entendimento entre a Polícia Militar e a Polícia Civil de Alagoas, sobre a detenção de duas pessoas na Vila Emater, no bairro São Jorge em Maceió, na quinta-feira (10), criou uma polêmica entre o delegado Leonardo Assunção e o tenente-coronel Lima Rocha.

A situação foi confirmada pelo delegado em entrevista ao TNH1 na manhã deste sábado (12), mas ele preferiu não se pronunciar por enquanto sobre que medidas irá tomar em relação ao fato.

Em um áudio que chegou à reportagem, Leonardo Assunção conta que foi informado das críticas que estaria sofrendo por um colega delegado. As acusações foram de que ele teria recebido dinheiro para liberar os presos e chegou até a ofensas raciais.

Em um print de uma conversa atribuída ao tenente-coronel Lima Rocha, a mensagem diz: “Liberou o bandido porque tem rabo preso. Um ‘nego’ imoral. Vergonha da polícia”.

A soltura, segundo o delegado, se deu porque a mulher detida por porte ilegal de arma de fogo era uma menor de idade. Ela foi liberada após ser autuada pelo ato infracional. Já o homem, que segundo a PM é suspeito de integrar uma facção criminosa, não tinha mandado de prisão em aberto, não foi preso em flagrante e só constava nos registros da polícia como vítima de um roubo.

“A PM chegou com a adolescente de 17 anos porque encontrou um fuzil Mauser da 1ª Guerra Mundial nos fundos da casa dela, escondida embaixo de umas madeiras. Tivemos dificuldade em identificar o calibre da arma, e até entrei em contato com o Rocha Lima. Ele disse que achava que o indivíduo era faccionado, que pela conversa ele era perigoso. Conduziram o homem à delegacia porque ele estava sentado na frente da casa dela, do outro lado da rua”, relatou no áudio.

Após a liberação dos suspeitos, a polêmica começou. “Pra minha surpresa, nos grupos de militares, as coisas pioraram, dizendo que recebi dinheiro, ofensas raciais, maiores absurdos, saindo do tenente-coronel Rocha Lima”, contou, ainda no áudio.

O TNH1 tentou várias vezes contato com Rocha Lima, mas ele não atendeu às ligações. Também foram procurados o comandante-geral da PM, coronel Marcos Sampaio, e o comandante de Policiamento da Capital, tenente-coronel Neyvaldo Amorim, mas nenhum atendeu às ligações da reportagem.

Por meio da assessoria de imprensa, a PM comunicou que tomou ciência informalmente do que ocorreu, mas não irá emitir posicionamento sobre o caso até verificar a veracidade da denúncia e até que a Polícia Civil e o delegado emitam um posicionamento oficial à corporação.

A Polícia Civil, também por meio da assessoria, disse que o fato será apurado, mas que se trata de um caso singular, que não compromete a integração das forças policiais.

com TNH1

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